• Lohany Sorgen

ELAS POR ELAS

Conhecemos a história de duas advogadas que trabalham com o que amam, perto da natureza e ainda ajudam outras mulheres a se empoderar e lutar por seus direitos.




Vestir uma canga, dar um mergulho no mar e tomar açaí na hora do almoço: assim são os intervalos entre um trabalho e outro de Bruna e Cynthia, que advogam para mulheres desde o ano de 2018 na Praia do Rosa, em Santa Catarina. Sim, duas advogadas mulheres que atendem apenas mulheres, esse é o propósito das duas meninas que criaram o primeiro escritório feminino da região e hoje já possuem clientes fiéis, outros projetos e uma comunidade de mulheres fortes que compartilham experiências de vida umas com as outras.

As histórias das nossas duas personagens se cruzaram totalmente por acaso, mas no momento ideal para as duas. Cynthia se formou na Ulbra em Canoas e se mudou para Garopaba logo que terminou sua faculdade. Desde então, advogava em casa. Já Bruna, morou um ano na Nova Zelândia, se formou em direito em 2017 e advogava em Novo Hamburgo, porém sempre amou as praias de Santa Catarina e costumava viajar para surfar aos finais de semana. Por já estar trabalhando muito tempo via home office, Cynthia sentiu a necessidade de montar um escritório, mas não queria fazer isso sozinha e, certa manhã, pediu indicações. No mesmo dia já estava em contato com Bruna e marcando o encontro que mudaria suas vidas.


ADVOGADAS SEM TABU


De uma troca de figurinhas em uma mesa de restaurante sobre como o mercado da advocacia é machista, foram surgindo as ideias de um atendimento especializado. Bruna e Cynthia começaram seu escritório atendendo todos os públicos, mas logo perceberam a grande demanda do público feminino. Vendedores de carros que se abusavam do pouco entendimento de mulheres sobre mecânica, ameaças de maridos e erros contratuais: estes foram os primeiros casos que levaram as meninas ao atendimento exclusivo para mulheres. Com as ideias e projetos, surgiram as inseguranças: “A palavra feminista ainda tem muito preconceito, então foi um passo dado sem saber como seria o caminho. Saberiam que poderia ser turbulento. Ma no geral a receptividade é bem boa.” explicaram.

As duas tiveram o apoio e parceria de outras meninas que também lutam pela casa. Vera e Isadora, dona do perfil adovagada feminista, foram as principais influenciadoras e ajudantes no projeto que tem como principal objetivo quebrar os tabus da advocacia, mantendo a formalidade mas desmistificando o padrão. Segundo elas, as pessoas ainda tem a imagem de um advogado formada por um homem mais velho e de terno e gravata, por exemplo. Mas hoje as coisas mudaram: elas podem escolher sua roupa, seu horário de trabalho e muitas outras coisas. Na Praia do Rosa, a rotina é flexível.


RETIRO FEMINISTA


Junto da ideia do escritório, surgiu uma mais inovadora ainda: juntar mulheres para passarem um final de semana no Rosa se divertindo e compartilhando experiências de vida. A receptividade do projeto foi boa e elas acabaram se surpreendendo com a grande quantia de inscrições: cerca de 30 mulheres participaram da primeira edição que contou com palestras sobre coletivo feminino, conversas sobre finanças, marketing e mulher no mercado de trabalho, feirinhas de roupas e produtos e, além de tudo isso, atividades como yoga, meditação e oficinas de marketing e autocuidado.

Por não usarem a palavra “feminista” no escritório, o receio para todo esse projeto foi grande. Mas o retorno? Mulheres que saíram de lá olhando no olho uma das outras e agradecendo.




“Esperança e felicidade de ver que não somos só nós que estamos nessa luta” relatam Cynthia e Bruna.



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