Com sucesso de público, CDL Porto Alegre promove o Zoom China

Com lotação máxima, evento, realizado nesta terça-feira, apresentou a realidade (quase) futurística do dragão asiático

O varejo porto-alegrense desvenda o dragão chinês. Para ajudar os empresários do segmento na complicada tarefa de acompanhar a veloz evolução chinesa e direcioná-la aos negócios, a CDL Porto Alegre realizou, na manhã desta terça-feira (18), o Zoom China. Com cerca de 400 presentes, o presidente da CDL POA, Alcides Debus agradeceu a presença do público e dos palestrantes, destacando sua experiência na Missão China de 10 dias ocorrida no início deste mês e a importância de falar sobre o mercado asiático. “A China é a segunda maior economia do mundo. Precisamos nos conectar e firmar mais parcerias comerciais com esta potência global”, declarou. A ação teve como objetivo compartilhar as experiências e conhecimentos adquiridos durante a Missão China. Uma apresentação da dança do leão – que simboliza esperança, sabedoria e prosperidade – marcou o início do evento.

Foto reprodução

A primeira palestra do dia ficou por conta do fundador da Varese Retail e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), Alberto Serrentino, que apresentou um panorama geral do varejo chinês e, principalmente, dos ecossistemas. Serrentino ressaltou o desenvolvimento não linear dos negócios do país, que pula etapas, assim como os investimentos em inovação e dados. “Os ecossistemas são a base do comércio da China. E o que todos eles têm em comum, mesmo com focos e segmentos diferentes, é o uso de dados como elemento estratégico”, afirmou. Para ele, o Brasil tem uma ótima janela de oportunidades, tendo em vista que o mercado chinês está cada vez mais aberto a produtos autênticos e de qualidade. Além disso, destacou como será fundamental para as marcas brasileiras acompanharem as inovações e modelos chineses a fim de continuarem relevantes. “É preciso ter mais agilidade e velocidade nos processos e modelos de novos negócios. E entender que a China não é uma ameaça, e sim, uma oportunidade para alavancar o mercado e a economia”, concluiu.

Em seguida, Grasiela Tesser assumiu o microfone para compartilhar suas percepções do grande dragão e falar sobre o digital dentro do varejo. A diretora-executiva da NL Informática enfatizou a rapidez da evolução do mercado. “Eles revolucionaram todo o comércio em três anos, criando gigantes da tecnologia. Transformaram os formatos de negócios e encontraram uma forma rápida e correta de fazer acontecer”, sublinhou. A China, segundo Grasiela, trabalha para acabar com o mito de que copia o que o Ocidente faz e reproduz de forma barata. Para isso, investe em inovação. “A China pretende se tornar, até 2030, o polo mundial de Inteligência Artificial, liderando o mundo nesta tecnologia”, informou.

Após o intervalo, o vice-presidente de marketing e relações internacionais da CDL Porto Alegre, José Roberto Resende, apresentou ao público a plataforma digital multifuncional WeChat, que mudou o cotidiano dos chineses. O aplicativo, que tem mais de 1 bilhão de usuários, oferece um enorme leque de serviços, como troca de mensagens, rede sociais, meios de pagamento, serviços públicos, compras e vendas, entre outros. É possível, por exemplo, marcar consultas médicas, comprar passagens de metrô, pagar contas de luz e até agendar divórcios. Tudo em uma mesma plataforma. “Se hoje nós achamos que dependemos muito do smartphone, imagina para os chineses. A vida inteira está na palma da mão”, disse. Para ele, os exemplos de ecossistemas chineses podem servir para o mercado brasileiro entender que é necessário encarar os negócios de uma forma diferente. “Precisamos juntar habilidades de forma integrada e inter-relacionada entre diferentes empresas. Buscar aliados e parceiros para crescer”, finalizou.

Último palestrante a subir ao palco, Adilso Librelotto, CEO da Central Importadora Tecidos e Aviamentos, dividiu com a plateia a sua vasta experiência de negociação com o mercado chinês, que vem desde 1995. Apresentou detalhes sobre o processo de importação de produtos do país asiático e suas dificuldades, ressaltando a expressiva evolução na qual o mercado passou nas últimas décadas. Para ele, o exemplo chinês mostra que o investimento em tecnologia no Brasil deve ser ainda maior do que é feito hoje, assim como é necessária uma maior presença dos jovens em cargos de comando. “Na minha empresa, os investimentos em tecnologia cresceram quando meu filho assumiu a TI. Temos que ser mais rápidos para conseguir crescer e acompanhar o cenário mundial”, enfatizou.

Para encerrar, foi realizado um painel, comandado por Alberto Serrentino, e composto por André Feltrin, da FFC Serviços Financeiros – Partner; Erik Cavalheri, de O Boticário – Sócio Franqueado; Ubirajara Pasquotto, diretor-presidente da Cybelar. Os empresários apresentaram suas diferentes percepções em relação à Missão China e discutiram os impactos na indústria e no varejo. O entendimento geral foi de que o Brasil, mesmo com uma cultura diferente e se encontrando em um patamar econômico e tecnológico distante da China, pode se preparar melhor para o futuro que já chegou no dragão asiático.

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